Fim de Gira

Dias atrás, na visita ao terreiro de Umbanda que frequento, fui a última pessoa a passar pelo atendimento.

Era tarde. Quase 9h20 da noite, eu acho. Minha barriga roncava vazia e minhas mãos gotejavam da ansiedade natural do encontro com o Exu de Fé.

A casa está já silenciosa.

Do ruído natural das mais de 160 vozes que lá frequentam todas as semanas ouve-se apenas a lamúria indiscreta de uma mãe frágil. Ela reclama com um caboclo a ausência do filho mais miúdo que, como os outros dois, já havia se debandado para a malandragem.

Já com os pés descalços, sinto sob os dedos a sujeira do chão que seria limpo após a Gira por uma dezena pessoas que trabalham por empatia, caridade e crença naquela Casa.

Da cozinha escapa o cheiro da pipoca e de alguma carne que não posso reconhecer a vocação. Um rapaz descalço, que até pouco antes ajudava a organizar a fila de passes, arruma a mesa acelerado enquanto uma garota na casa dos 20 sacode a panela de pipoca.

Uma Cambone chama meu nome e acena para mim sorrindo. Entro para encontrar o Exu.

“Boa noite pai”

“Boa noite minha filha. Tive saudade docê. Não te vejo faz tempo”.

“Tô aqui quase toda semana, mas todo mundo quer suas bênçãos, pai. A fila é longa pra uma prosa com o sr.”.

Dez minutos diante da entidade e após o passe transformador, despeço do pai e da Cambone e retorno à cadeira no canto da sala para colocar meus sapatos, carregando nas mãos a vela que seria acesa mais tarde.

Enquanto me calço examino o retrato de Chico Xavier acima do batente da porta à minha frente. Ao lado, Jesus Cristo pregado à Cruz e na prateleira abaixo imagens de Ogum e, se bem me lembro, de Iemanjá.

De repente, o silêncio interrompe.

Pela porta ao meu lado começam a entrar, um a um, os médiuns que durante três horas emprestaram a si, a seus corpos, para a caridade.

São todos corpos feitos de exaustão.

Vejo entrar um senhor na casa dos sessenta, cambaleante evitando que os calcanhares em chamas pelas horas seguidas em pé tocassem o chão. Uma moça que até pouco carregava o impulso da Pombagira, anda a passos de um centenário massageando-se na cintura para aliviar a dor.

Sentada ao meu lado, uma outra mulher tosse vigorosamente afora a fumaça dos charutos que havia fumado, enquanto dobra com cuidado o lenço branco que antes adereçava-lhe a cabeça.

São todos corpos sôfregos.

Pendentes, carregando com dificuldade vozes roucas e cheiro de fumaça e pólvora.

A imagem dos torsos desmaiados gruda em mim (Tento desviar enquanto procuro a chave do carro dentro da bolsa).

Despeço-me de algumas pessoas e saio ligeiro na direção do carro.

Já sentada no banco penso sobre aquelas pessoas: Tão cansadas, e de espíritos tão abundantes.

Penso sobre a infinita generosidade desses alguéns, que destituem-se do seu sentido principal e emprestam seu corpo (única coisa de cada um que de fato é de cada um) para a espiritualidade.

Alguéns que por horas esvaziam-se.

Apequenam-se em algum canto escondido de si e deixam o Outro coexistir.

Cedem-se.

São por horas O Oco.

O vazio para o Outro ocupar. Ouvir. Aconselhar. Acalmar. Orientar.

Penso em seguida sobre o quanto o mundo incendiado grita, urgente, por caridade e que eu pouco tenho feito para apagar qualquer labareda.

Vem-me à cabeça a oração de São Francisco de Assis – (…) Ó Mestre, Fazei que eu procure mais Consolar, que ser consolado/compreender, que ser compreendido/amar, que ser amado./Pois é dando que se recebe/é perdoando que se é perdoado/e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Eu, de fato, venho recebendo mais que doando (me).

Penso, por fim, que devo fazer diferente.

Harmonizar a balança da vida.

Tenho já o meu primeiro direcionamento para o ano que vai logo sair do forno.

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Dicas para que seus posts no Facebook não fiquem milimetricamente iguais aos de todos os seus 936 amigx

. Gratidão: Hoje em dia, tudo virou gratidão. É como se essa fosse a palavra mais recentemente inventada. A palavra das palavras. A bola da vez. Aquela que diz tudo e não pede nada. Quem começou a usar a palavra gratidão provavelmente foram meninas que usam coroas de flor, ou os rapazes do conjuntinho cachecol + barba + violão. Depois a palavra se espalhou em incontáveis páginas, assuntos, baners, hashtags, legendas de fotos, agradecimentos profissionais entre outros. A palavra é boa, ok. Bem sonora também. Mas a sua utilização ficou batida e irritante. Uma breve olhada no dicionário, e verá que há uma porção de vocábulos para substituí-la, como reconhecimento, retribuição. Que tal tentar?

• Hoje é o dia dela/dele: Gente, vamos lá. Só porque seu amigo do FB faz aniversário o dia tem que ser todo dele? Imagine quantas pessoas fazem aniversário no mesmo dia do seu amigx e, ainda assim, você reserva o dia só pra ele? Que tal começar a frase de parabenização de forma diferente de todos os outros 1,94 bi de usuários do Facebook? Algo como: Hoje é seu aniversário! Que dia especial, é o seu aniversário! Parabéns pelo seu aniversário! Etc, etc, etc.

• O maior amor do mundo: Essa frase é utilizada, quase que via de regra, em legendas de fotos de filhos ou ainda naquelas que narram as imagens de filhos + cônjuges + mães e/ou pais. Ouuquei. Novamente. Superlativos são ferramentas importantes para adensar qualquer feeling. Mãããs, uma vez mais, que tal trocar por outros vocábulos ou sentenças que exprimam esse sentimento tão nobre e grande a ponto de se comparar com o tamanho do mundo? Tente Amor inesgotável, amor (somente), um amor sem limites. Sei lá. Dá uma pensada, entende?

• É o que temos para hoje: Essa frase é utilizada quando se quer mostrar na timeline qual a boa do dia/noite/madruga, mas sem perder a humildade. Assim ó. O coleguito coloca uma selfie, em Jericoacoara, com um copo de caipirinha de seriguela na mão e, na legenda, “É o que temos pra hoje”. Na verdade, o que o bophe queria relatar é que ele está bem de boas no Ceará enquanto você está trabalhando e pingando de calor porque o ar condicionado da firma quebrou. Com ou sem chinelas da humildade, troquem por outra legenda, minha gente.

• Lindo (a) como coment em qualqueeeeeer foto: Se houver um estudo apontando qual a palavra mais escrita em comentários de fotos do FB, sem dúvidas será Linda (o). Impressionante, gente. É igual atendente em loja de roupa. Você sai do trocador com a roupa e mesmo que esteja indecente dentro da fardagem, a vendedora diz que você tá um luxo, esplendorosa, maravilhosa, a dona da night. O fato é que não precisa dizer que a pessoa está linda na foto se não estiver, entende? Só curte que é suficiente. Ou, então, tente algo como belo, vistoso, maravilhoso. Sei lá.

• Muito amor envolvido: Essa é a frase preferida dos casais in love, dos grupos de amigos de infância reunidos na praia no feriado prolongado, dos tios (as) com seus arsenais de sobrinhos de idades variadas. É tanto amor envolvido no FB que os infelizes já estão asfixiados, embargados, submersos, oprimidos. Substitua por sentenças como ‘cercado de amor’, amor pra todos os lados etc, etc, etc.

• Empoderamento: Essa é uma palavra bem boa, na real. Tem presença, ânima, conteúdo. Trata-se de um neologismo do educador Paulo Freire e define um conceito fundamental para entender as aspirações dos movimentos sociais. “Empowerment”. Forte né? Eu acho. Mas daí, people, a palavra entrou na moda online e passou a ser repetidamente-repetida em incomensuráveis postagens de grupos discriminados. Cotada da palavra. Virou um clichê constrangedor. Repito, mia-gente. É uma palavra bem boa, mas a repetição modística fez ela ficar boba, chata, melosa e piegas. Trocar por qual outra? Sei lá. Coloca uma foto do He-Man ou da Shi-ra.

. A melhor parte de mim: gente, filho não é uma peça da gente, tipo um rim ou pulmão. É uma coisa separada.

Migx, têm mais dicas para aumentar um pouquinho a criatividade na sua timeline? Fala cum-eu. Vamos deixar o FB mais inventivo e legal. Titio Zuckerberg agradece.

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A menina e o pum

Mamãe, você solta pum?

Claro, filho. Todo mundo solta pum!

Mas você é menina, mamãe. Menina não solta pum.

 

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3 anos

São 3 anos desde que meu pai cerrou os olhos e renasceu para a vida espiritual.

São três anos desde que reafirmei minha fé nos laços que, de tão intensos, não se rompem mesmo diante da morte.

São três anos desde que passei a esperar paciente pelo reencontro, mesmo querendo que aconteça longe.

São três anos desde que me lembro dele todos os dias:

Do seu cabelo puxado impecável à gel; da sua esperança inquebrável no dia de amanhã, do seu olhar oblíquo, certo, determinado; da sua proteção e calmaria expressa na voz; do barulho de suas mãos esfregando-se sob a água no lavabo.

Na nossa mesa está faltando ele.

Faltando a presença que expandia a vida de todos nós. A rebusques dos queijos prediletos e a imprevisibilidade do vinho reservado para a ceia.

Na minha vida, hoje desinteira, está faltando ele.

O lugar que não se ocupará.

Até que o reencontre

Espero que longe.

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O caça palavras

Oie!! Tudo? Preciso de uma ajuda. Perdi minhas palavras e não encontro em lugar algum. Já procurei em casa, no escritório, no carro. Pensei que podem estar no meio daquele livro que me emprestou ano passado, mas te devolvi sem ter tido tempo de ler. Ou entre as conversas que teríamos semana retrasada no encontro que acabamos desmarcando por causa do trânsito. Lembra? Se encontrar me avisa? Já nem sei mais o que dizer. Tô meio repetitiva, sabe?

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O gasto e a existência

Pago, logo existo.

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Conversa com exu de fé

Oi seu Tranca Rua, boa noite.

Ô minino. Que precisa do véio?

Ah, seu Tranca Rua…. as coisas na minha vida tão difíceis, sabe?

Filho, reclamá num dianta de nada.

Mas…

Mas o que? Tá diantando de alguma coisa?

Não

Ocêis já tão vivendo desse jeito miserável aí na terra, e ainda reclama?

Mas…. sabe o que é?

Não sei. Mas num tem cunversa. Ergue a cabeça, porque se o Pai deu o encargo ele é seu. Tá?

Tá.

E se precisá chama eu.

Tá.

Mais alguma coisa?

Não.

Então se vá. De cabeça irguida.

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Algumas felicidades colossais que não exigem desejos superlativos

– Fazer xixi depois de esperar, muito-muito-muito apertado, por 1 hora até encontrar um posto na estrada

– O primeiro dia de uma viagem esperada e a conclusão de que tudo está só começando

– Receber um elogio genuíno e despretensioso

– Encostar o rosto no rosto do filho e sentir a intimidade indiscutível das peles

– Acordar, descansado, em um sábado de sol, e abrir a janela do quarto planejando-se livre e despreocupado

– Tomar vinho e ficar um pouquinho chapado, naquele ponto em que é uma delícia conversar com eloquência e a gente se sente super-hiper legal

– Olhar no espelho e sentir-se bonito

– Último dia de trampo antes do início das férias e a irrevogável cerveja depois das 18h

– Comprar um objeto que deseja intensamente, na queima de estoque, e pagar somente 30% do valor inicial

– Sábados de sol

– Encantar-se com as cores das flores e os sabores das frutas (isso é coisa de Deus).

– Dar um presente e constatar que o presenteado gostou-muito-muito

– Pagar uma conta atrasada

– Achar dinheiro amassadinho no bolso traseiro da calça, pode até ser R$5,00

– De madrugada, esquentar o resto da picanha assada que sobrou do almoço e colocar o caldinho da carne encima do arroz

– Comer com muita-muita-muita fome

– Um copo de coca muito-muito-muito gelado depois de extenuado de calor (pode ser cerveja)

– Sentir o friozinho na barriga ao encontro desejado

– Comer brigadeiro que sobrou na panela

– Receber uma ligação muito-muito-esperada

– Reencontrar amigos verdadeiros e passar horas reavivando o amor, constatando que o tempo e a distância não desfazem o que se tece na alma

– Como expectador, observar o filho em atividades ordinárias

– Chegar em casa, ao final da tarde, e sentir-se protegido pela atmosfera acolhedora

– Entender e confortar-se com o fato de que a felicidade não é uma constância na vida.

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Miniperfil do (mini) menino parte IV

Três anos, seis fantasias que usa repetida e alternadamente, dia a após dia, e uma indiscutível intimidade com as coisas da vida.

Coisas normais da vida.

Dar bom dia para o vizinho no elevador do prédio.

Conversar informalmente sobre cachorros com a avó-do-amigo-do-pai.

Se recusar a escovar os dentes antes do tetê, porque o leite fica com gosto meio estranho.

Beijar os pais, sem qualquer requerimento ou contestação, como que agradecendo pela acolhida e o afeto.

Outro dia, o mini (que não é mais tão mini) menino disse prá vó-do-lado-da-mãe:

“Vovó, não precisa dar presente de dia das quianças pá-eu. Eu tenho tudo”.

De fato, o mini-menino de olhos inevitáveis e sorriso que nasce d´alma chegando largo aos lábios rosados, é superlotado de tudo o que é fundamental.

Amor. Cuidado. Carinho. Atenção.

É também referto de si também, o Ciro. De vontades que se preciso remedia por si só.

Brincando com areia do parquinho, remontando feito quebra-cabeça as histórias que conhece dos livros, inventando palavras que nem a mãe, pulando da prateleira para o sofá, do sofá para a poltrona, da poltrona para o chão, até que o pai (que o mesmo fazia quando pequeno) perceba e censure.
O Menino e os Parangolés

O mini-menino bamboleia pelos dias de sol e de chuva arrebatando corações absortos nas calçadas, na escola, na vizinhança.

O que ninguém entende, mas todo mundo acha graça, é que ele gosta de um parangolé.

É.

Tem propensão ao experimentalismo performático do Oiticica.

Quando não está arroupado e mascarado em fantasias de heróis, jogadores, piratas, ele carrega um apetrecho sob os bracinhos afilados com a penugem infantil já prenunciada.

Uma toalha de mesa, dois cabides, três sacolas plásticas abarrotadas de qualquer coisa que seja.

Senão, enfeita o rosto e o corpo.

Rabisca-se com canetinhas coloridas e mostra inflado o desenho:

“Ó minha tattoo que gande. Igual a sua pai”.

Outro dia, o mini-menino cravou os olhos na mãe enquanto ela se maquiava para ir ao trabalho.

“Que que é isso mamãe??”

“Esse é rímel e esse é batom”.

“Posso passar?”

“Hum…. Não filho!”

“Pu-favoi mamãe”

“Ai filho…. quer mesmo? Esse batom aqui é difícil de sair. Você vai ficar de boca-lôca o dia inteiro…. Melhor não”

“Siiiim mamãe!!”.

E o menino enfeitiçou-se frente ao espelho da sala admirando seu beicinho colorado de Matte Red Amore Mary Kay.

Pra quem puxou? Quem conhece garante:

Pro pai e pra mãe (“Vocês sempre foram meio exibidos, gente”, disse a tia-madrinha-de-lado-de-mãe, Juliana, dia desses).

Pescador? – Ele articula, exprime, profere, pronuncia. Papeia, manifesta, ora, comenta.

Impressionante o quanto o mini-menino fala e conta história. De tanto que narra, vai virar marketeiro, vendedor, educador, empreendedor, ator.

Ou pescador.

Ele fala o que vem do priminho, do parquinho, do coração. De trás-pra-frente, remonta a história do livro. De ponta-cabeça e de pernas para o ar, coloca personagens novos em velhas fábulas.

Junta a Dora Aventureira, o raposo e a Peppa. Coloca a Patrulha Canina e o Jake e os Piratas da Terra do Nunca no mesmo navio. Encontra enredo para a bruxa malvada e o Incrível Hulk.

A história e a bola da vez, desde a semana passada quando teve teatrinho lá na Oca dos Curumins, é a da Chapeuzinho Vermelho.

Acontece, que na versão da história do mini-menino, quem abre a barriga do lobo-mau não é o caçador. É uma liga de heróis, especialmente criada para a ocasião, composta pelo Batman, Homem Aranha, Super Man e o Jake.

Ele, o mini-menino, no caso, é o Jake.

O doce, quando azeda, sai de perto – O mini-menino tá sempre na área. É só chamar que ele vai. Experimente convidá-lo pra dormir na sua casa. Ele nem para pra pensar.

“Vou!”.

Ele quer ir para qualquer lugar, e outro dia perguntou para a mãe se poderia ir já dirigindo, quando fosse promovido a irmão mais velho. A mãe, como réplica, agarrou e mordeu repetidamente o pescoço do filho.

De skate, patinete, carro do papai ou bike-sem-pedal, sendo convidado o menino vai. Não sendo, dá seus pulos e vai assim mesmo.

Clube? “Vou!”.

Tomar sorvete? “Vou! De morango”

Brincar? “Vou! Com minhas pimas e meus pimos”.

Jogar futebol? Vou! De chuteira e uniforme do urubu”

Mas também, quando ele fala não, é não.

Ele grita, chora, espernea. Vocifera pedidos de socorro para o pai, quando quem diverge é a mãe. Esgoela pela assistência da mãe, quando quem se opõe é o pai. Estrondeia roco, por entre tosses e espasmos-pós-choro, pra avó quando quem dá bronca são o pai e a mãe.

É, irmão. Mesmo sabendo da inadequação, o mini-menino não abre mão.

Outro dia, ficou chorando por uma hora porque a prima tirou da sua mão uma pecinha-sei-lá-do-quê. Passados quarenta e cinco minutos, a mãe já tava quase chorando também. Mas teimosa igual o rebento, não tirou os gritos do castigo.

Manha, fase, adolescência da infância, birra ou não, os pais estão sempre alertas.

Não são muito aptos os livros, sites, blogs de abêcê-da-maternidade-e-paternidade. Criam como na sua ancestralidade. Com sensibilidade, equilíbrio, coração.

E quando preciso, falam firme, retos, rígidos.

“Em casa é linha dura”, o Ciro deve pensar quando, com olhinhos assustados, dos pais escuta um belo NÃO.

O choro passa, o tempo passa e o mini-menino continua crescendo. Só para cima, pois engordar… engorda muito não.

Ele segue magricela por aí. Pendurado, de cabeça para baixo, desafiando-se em batentes de portas e grades de portões.

Audacioso, corajoso.

Ele segue com os crocks gastos de brincar, o corpinho colando de suor, carregando seus parangolés, achando graça da vida.

E para remediar corações, o Ciro chega na escola todos os dias nanando.

Repousado no colo da mãe ou do pai, por alguns minutos os faz pensar que aquele mini-menino será pra sempre deles.

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Quer saber mais do mini-menino? aqui ó!

 

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Sonho a contento do corpo

Sonhei noite passada que dormia até acabar o sono.

Foi tão bom.

Virava na cama para justapor o corpo nas almofadas e edredrom mornos de repouso, e, semi acordada, lembrava-me que não precisava levantar.

Bocejava profundo, sobrepunha uma sobre a outra as pálpebras pesadas e úmidas de ócio e voltava a adormecer.

Sem precisar levantar.

Dos pés à cabeça, sentia todo o corpo repousado.

Amainado.

Um corpo frouxo.

Mal podia distinguir onde começava e terminava eu.

Eu, eu era toda bem estar.

Toda a contento. Do corpo.

Seis e meia e o despertador-natural-de-vida-urgente me acordou.

Pensei que queria voltar a dormir.

Voltar a sonhar.

E descansar.

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