Quer dançar comigo?

Você quer dançar comigo loucamente como se não houvesse amanhã? Dançar com o corpo inteiro da gente, dos pés a cabeça? Cada fração da gente dançando bem na frente do palco onde vamos ter espaço para mexer tudo: os braços abrindo e fechando para os lados, para cima e para baixo e nas diagonais e os dedos acompanhando o ritmo, sem ter que esbarrar nas pessoas que dançam só fazendo ‘pra-la-e-pra-cá’ com as pernas tímidas e retesadas? Vamos? Vamos dançar por muitas horas saindo suados vez em quando da pista para tomar um ar fresco na face e agradecer a vida? Pode ser na balada e também na sala de casa. A gente afasta o sofá, acende só a luz da sacada e dança. A gente pode descer até o chão sem pudor e vergonha dos passos descoordenados e cantar alto sem preocupar-se em atrapalhar o sono dos vizinhos. Vamos?

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O sonho, a economia brasileira e Lacan

Noite passada tive um sonho que não me fez perder o sono porque eu dormia pesado que nem uma rocha, mas me fez acordar dolorida nas costas e meio bodiada.

Eu estava pra sair de férias.

Delícia.

O destino era Natal e viajaríamos meu filho, marido, uma amiga e eu. Quando cheguei do trabalho montada de empresária dos pés à cabeça, com salto alto, ofegância, preocupação e olhos lacrimejantes, os migxs de viagem já estavam prontos para a trip, efusivos, com roupas confortáveis de ócio e na porta de casa me esperando para partirmos.

Vamos??

Não! Respondi irritada em rebate ao ultraje.

Ainda não arrumei minha mala, nem a do meu filho.

Corre! Responderam-me. Ou perderemos o vôo.

Daí, comecei a arrumação enquanto meu subconsciente me escarnecia sorridente.

Eu abria as gavetas e não encontrava as roupas; ia até a sapateira e os chinelos que sempre fizeram pouso por lá não estavam. Os potes de xampo e condicionador, vazios. A mala, encontrei somente uma em casa. De papelão.

Vai essa mesmo.

Supri a mala com as poucas roupas que encontrei, enquanto pensava em cada uma das peças desaparecidas.

Eu comprei um shorts pra ele semana passada…. ué.

Saí às pressas de casa com minha mala desfavorecida, recordando tudo o que ficara para trás. O balde de areia…. Não veio. Meu biquini azul… Não veio. O boneco do Batman… Também não.

Antes mesmo de carregar o carro, a mala infeliz arrebentou nas alças derrubando as poucas peças que eu levaria. Daí eu chorei. De frustração e cansaço. O vôo? Foi certamente perdido.

Acordei hoje e, como de costume e sob influência do Lacan, esforcei para promover uma consonância entre o sonho e o momento que eu (e uma pancada de brasileiros) vive hoje.

Essa tentativa sem fim de encontrar os prognósticos para o mercado; a busca incansável por lógicas que outrora eram postas; a fragilidade de papelão da economia nacional que dilacera perspectivas de alçar vôos.

Que coisa, pensei.

Como é que eu viajo agora no meu negócio intimidado por esse Brasil hostil que vivemos hoje?

Que coisa, pensei de novo.

Depois de revisto o sonho e alongadas vértebras doloridas, vesti-me de empresária novamente e vim para a minha empresa rascunhar novos planos de viagem.

Estou aqui. Continuo tentando, sempre, encontrar as peças de roupas perdidas pela casa brasilis. Com a mala vulnerável, carrego o volume que restou nas prateleiras com determinação, coragem e, acima de tudo, resiliência.

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Paródia

Escrevo pois são palavras. Se fossem músicas, dançaria.

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Tá vendo, filho??

– Mamãe, hoje tem Oca dos Curumins?

– Não nêguinho. Você está de férias!

– Mas porque você está indo trabalhar então?

– Pois é filho. Por essas e outras eu insisto procê não crescer

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A sra. e a resolução de ano novo

Ontem vivi uma das uma daquelas típicas situações que me colocam à prova, além de esquentarem as maçãs do meu rosto.

Vivi, viu. Véio… como vivi.

Mas a tal situação veio como uma pérola. Com uma chance de empregar uma resolução de ano novo logo na primeira fatia de 2018.

Bingo. Gostei. Entusiasmei lembrando que tem o ano todiiiin pra eu resolver as pendenga que tenho comigo.

Aliás é bem magia essa coisa da vida dividida de 12 em 12 vezes, né?

É como se a gente pudesse reestrear sempre, e com a casa cheia, sentindo aquele friozinho na barriga com os burburinhos do teatro enquanto espia por detrás das cortinas. E ainda, no pacote, vem um monte de rango delícia, família, recesso, excesso, festas, amigos.

Gente. Eu amo ano novo.

Amo, e venho tentando sempre reestrear em cada ano diferente. Se não, de que adianta começar tudo de novo? É só continuar sendo do jeito que-já-tá-sendo. O bom é que você não precisa se esforçar pra queimar todas as calorias que ganhou no fim do ano com os festejos.

(Reestrear com o mesmo figurino amassado, sem rever o roteiro? Pra que?).

Bom, o fato é que ontem vivi uma daquelas.

Conheci por acaso uma sra na casa dos 70, agradável, educada e de bons tratos. Olhos miúdos, cabelos e pele que nem clara em neves, bonita, tinha voz decidida e palavras tão bem empregadas quanto a blusa cinza de meia manga que usava no sábado chuvoso.

Falamos de um tudo.

Do possível revival entre Coréia do Sul e do Norte; do Fire and Fury que dois dias depois do lançamento já irritou o Trump e se tornou o best seller da Amazon; das nevascas nos EUA que impedem o neto do voar para Heathrow; da generosidade do Pai Nosso que fez uma morada beeeem mais firmeza que essa que a gente vive hoje; da escola do meu filho.

Opa.

A escola do meu filho.

Foi aqui que a minha primeira-daquelas-de-dois-mil-e-dezoito começou.

Como de costume, arranjei as vértebras, entoei a voz e escarafunchei as melhores palavras na caixa pra falar da escola do moleque. Comentei que segue à risca os princípios da pedagogia de Celéstin Freinet, direcionando o movimento pedagógico em defesa da fraternidade, do respeito e crescimento de uma sociedade mais cooperativa e feliz.

Contei que a escola estava sempre ornamentada, radiante, com os inúmeros trabalhos de arte, fotografias, poemas dos alunos colados nas paredes frutificando outros conceitos Freinianos tão lindos que a escola segue, a livre expressão e o compartilhar do conhecimento.

Por fim, falei dos professores que, há tantos e tantos anos lecionando lá, denotam um espaço de acolhida, morada, raiz, comprometimento.

A septuagenária esperou o meu ponto final para entrar na cena. Ficou, agora ela, ereta e recitou:

“Eu não suporto essa escola. Meu neto estudou lá um tempo e eu tinha pavor. Nossa. As crianças são TODAS mal educadas…. E aquelas salas de madeira? Precárias. Que que é isso, meu Deus. O cheiro daquelas salas no calor. Tinha horror quando meu filho pedia para eu ir buscar meu neto”.

Foi aí que as maçãs vermelhesceram.

Cruzei e descruzei as pernas repetidamente. Arrumei o cóqui improvisado do cabelo meio que tentando achar buraco pra enfiar a tensão. Alcancei meu filho recém chamado mal educado com os olhos enquanto ele brincava na sala ao lado.

Desconfortei.

“Mano-do-céu. Porque ela me agrediu assim espontaneamente?”, pensei com a cabeça embaralhada de indignação. “Será que ela não gostou da minha tee básica ou das minhas havaianas pretas?”.

Como Q-A-L-Q-U-E-R capricorniana, já tirei a arma do cinturão. Engatilhei. Travei os dentes sem querer e senti meus olhos tentando lançar chamas.

Mas
interrompi.
Interrompi-me.
Interrompi-a.

Como diz uma amiga linda, controlei o reggae, segurei o tchan. Não deixei o bichinho da raiva roer meu sapato. Fui logo contemporizando (com tom diretivo, mas atenuando) a maleducação da molecada: “Muita criança junta, já viu (…)”. As salas? “Sim, pode ter quentura no calor, a sra tem razão. Mas acho que ninguém se importa viu… as salas estão lá há 40 anos”.

A mulher algodão perdeu a chance e serenou: “A… não sei. Acho que sou velha. Não entendo essas coisas…”.

Eu ri um risinho frouxo de boa vizinhança e apaziguei.

Lembrei que meses atrás eu fiz bafão na internê com um cara que criticou um texto meu, me agredindo sem razão. Eu xinguei o maluco e depois xinguei a mim mesma por ter xingado ele. O bapho só repercutiu em mal estar pra Gigi aqui.

Ele? foda-se se ele gosta ou não do que eu escrevo, (que delícia escrever foda-se, by the way) se ela gosta ou não da escola do meu filho.

Não é?

Pô. Como a gente procura sarna pra se coçar, mal estar pra mal sentir, pensei naquela hora. E prometi ficar mais atenta sobre as ressonâncias negativas a mim quando desses eventos.

Como a vida, se a gente presta atenção, é um lance bem mágico, já me deu de presente (logo no janeirão) a chance de fazer um trial na resolução.

E então, depois do papo da escola, falamos sobre os cardiologistas da cidade.

“Qual é o da sra.? Satisfeita com ele?”.

Na despedida a sra. toda alva reverteu-se em flores. Deu um forte abraço em mim e me desejou bom ano.

“Foi um prazer te conhecer, menina. Seu filho é muito lindo e educadinho!”, elogiou.

Fui para casa e terminei meu sábado de boas assistindo a nova temporada de How to get away with murder.

Está bem legal, aliás.

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Conversa sobre oxidação humana

Mulher 1: Tô muito injuriada com isso, gente…. Nosso corpo realmente gasta, né?

Mulher 2: Depois dos 35 então.

Mulher 3: Uma merda.

Mulher 2: Minha pele mudou muito depois dos 35.

Mulher 1: Sim, a minha também… mas também, gente… a gente oxida.

Mulher 2: Putz, verdade. Fico de cara sempre que lembro que o oxigênio oxida a gente, como se a gente fosse uma lata de ervilha velha jogada no terreno baldio do lado de casa.

Mulher 3: Uma merda.

Mulher 1: Uma merda.

Mulher 2: O negócio é respirar menos. Menos possível.

Mulher 3: Isso. Todo mundo praticando o roxinho, minha gente. Nada de respirar.

Mulher 1: Aliás… será que quem treina apneia oxida menos?

Mulher 2: Vou treinar.

Mulher 3: Vamos?

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O Natal da galinha preta

 

Tô aqui pensando sobre o Natal. Lembrando das ceias na casa da minha vó Daicy e de todas aquelas nozes, risos e feições pueris à espera do Papai Noel à meia noite.

Teve um ano que eu ganhei uma casinha da Bárbie. Foi aos 7, se bem me lembro, e eu fiquei um pouco ansiosa e desajeitada pois o meu presente era muito maior que do meus primos e irmãos.

Senti facciosa, parcial, já que lógica do aniversariante do dia era a Igualdade.

Nos tempos de Natal na vó Daicy só estavam autorizados a montar a árvore os netos que nunca tinham beijado na boca. Muitas vezes, em contendas com minha irmã, eu ameaçava contar para a vovó que ela estava rompendo com as normas natalinas, participando do Coloca-Bolas quando já dava uns beijos por aí.

Me chamava a atenção aquela árvore, sabe.

Era de penas. Penas de galinha. Eu sempre busquei sentidos para os penachos pretos e minha avó enchia o peito lembrando que a árvore era dos tempos de criança do vovô que nenhum dos netos conheceu. A árvore beirava os 40 anos e me causava estranheza quando adornada em pinhos pintados de dourado e bolinhas desgastadas pelo tempo. Teve um ano que pensei em sugerir para a vovó que comprássemos uma árvore nova, e verde como à rigor, mas cismei que se aposentássemos a velha negra nosso Natal pudesse não ser mais o mesmo.

A vovó enfraqueceu, os netos e bisnetos beijaram na boca, a árvore nunca mais foi montada e, de fato, o Natal nunca foi mais o mesmo. Por anos e anos tentei (re) significar o aniversário de Jesus Cristo em novas árvores, novos pratos, novos cenários.

Anos atrás convenci todos em casa a fazermos uma Ceia árabe meio que tentando criar o método. Foi legal, mas de longe teve a potência dos Natais na vovó, com a árvore de galinha senil e o Menino Jesus em tamanho natural repousado na manjedoura sobre a mesinha de centro da sala.

Depois o meu pai morreu e os Natais iniciaram uma nova jornada em busca de casa, interpretações e significados. Hoje, sem o papai, a melancolia da morte é sempre convidada de honra para as nossas Ceias. Tem lugar à mesa e nas lembranças do tempos que podíamos ouvir o tilintar dos gelos no copo de uisque dele enquanto se preparava para a irmos à casa da vovó.

Na contramão da nostalgia, a Vida Nova também tem cadeira para sentar-se. Novas crianças aguardam ansiosas pelo presente à meia noite e são elas, hoje, as habilitadas a criar as cenas do Natal.

Para mim o Natal se configura como um dia para me comprometer mais intensamente com Jesus Cristo. Proponho-me a me colocar lugar dele, sentindo o seu abatimento ao ver como anda tão cheio de inquidades e dor o mundo que o Pai dele criou.

Tenho certo que mais do que agradecimentos por graças recebidas, missas, reuniões familiares, Ele quer consciência, ação, transformação, caridade.

Esse hoje é meu de cenário do Natal.

Sem presentes, sem meu pai, sem a árvore de penas pretas, mas enfeitado de vida nova e com o peito aberto para agradar o dono da festa.

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Fim de Gira

Dias atrás, na visita ao terreiro de Umbanda que frequento, fui a última pessoa a passar pelo atendimento.

Era tarde. Quase 9h20 da noite, eu acho. Minha barriga roncava vazia e minhas mãos gotejavam da ansiedade natural do encontro com o Exu de Fé.

A casa está já silenciosa.

Do ruído natural das mais de 160 vozes que lá frequentam todas as semanas ouve-se apenas a lamúria indiscreta de uma mãe frágil. Ela reclama com um caboclo a ausência do filho mais miúdo que, como os outros dois, já havia se debandado para a malandragem.

Já com os pés descalços, sinto sob os dedos a sujeira do chão que seria limpo após a Gira por uma dezena pessoas que trabalham por empatia, caridade e crença naquela Casa.

Da cozinha escapa o cheiro da pipoca e de alguma carne que não posso reconhecer a vocação. Um rapaz descalço, que até pouco antes ajudava a organizar a fila de passes, arruma a mesa acelerado enquanto uma garota na casa dos 20 sacode a panela de pipoca.

Uma Cambone chama meu nome e acena para mim sorrindo. Entro para encontrar o Exu.

“Boa noite pai”

“Boa noite minha filha. Tive saudade docê. Não te vejo faz tempo”.

“Tô aqui quase toda semana, mas todo mundo quer suas bênçãos, pai. A fila é longa pra uma prosa com o sr.”.

Dez minutos diante da entidade e após o passe transformador, despeço do pai e da Cambone e retorno à cadeira no canto da sala para colocar meus sapatos, carregando nas mãos a vela que seria acesa mais tarde.

Enquanto me calço examino o retrato de Chico Xavier acima do batente da porta à minha frente. Ao lado, Jesus Cristo pregado à Cruz e na prateleira abaixo imagens de Ogum e, se bem me lembro, de Iemanjá.

De repente, o silêncio interrompe.

Pela porta ao meu lado começam a entrar, um a um, os médiuns que durante três horas emprestaram a si, a seus corpos, para a caridade.

São todos corpos feitos de exaustão.

Vejo entrar um senhor na casa dos sessenta, cambaleante evitando que os calcanhares em chamas pelas horas seguidas em pé tocassem o chão. Uma moça que até pouco carregava o impulso da Pombagira, anda a passos de um centenário massageando-se na cintura para aliviar a dor.

Sentada ao meu lado, uma outra mulher tosse vigorosamente afora a fumaça dos charutos que havia fumado, enquanto dobra com cuidado o lenço branco que antes adereçava-lhe a cabeça.

São todos corpos sôfregos.

Pendentes, carregando com dificuldade vozes roucas e cheiro de fumaça e pólvora.

A imagem dos torsos desmaiados gruda em mim (Tento desviar enquanto procuro a chave do carro dentro da bolsa).

Despeço-me de algumas pessoas e saio ligeiro na direção do carro.

Já sentada no banco penso sobre aquelas pessoas: Tão cansadas, e de espíritos tão abundantes.

Penso sobre a infinita generosidade desses alguéns, que destituem-se do seu sentido principal e emprestam seu corpo (única coisa de cada um que de fato é de cada um) para a espiritualidade.

Alguéns que por horas esvaziam-se.

Apequenam-se em algum canto escondido de si e deixam o Outro coexistir.

Cedem-se.

São por horas O Oco.

O vazio para o Outro ocupar. Ouvir. Aconselhar. Acalmar. Orientar.

Penso em seguida sobre o quanto o mundo incendiado grita, urgente, por caridade e que eu pouco tenho feito para apagar qualquer labareda.

Vem-me à cabeça a oração de São Francisco de Assis – (…) Ó Mestre, Fazei que eu procure mais Consolar, que ser consolado/compreender, que ser compreendido/amar, que ser amado./Pois é dando que se recebe/é perdoando que se é perdoado/e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Eu, de fato, venho recebendo mais que doando (me).

Penso, por fim, que devo fazer diferente.

Harmonizar a balança da vida.

Tenho já o meu primeiro direcionamento para o ano que vai logo sair do forno.

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Dicas para que seus posts no Facebook não fiquem milimetricamente iguais aos de todos os seus 936 amigx

. Gratidão: Hoje em dia, tudo virou gratidão. É como se essa fosse a palavra mais recentemente inventada. A palavra das palavras. A bola da vez. Aquela que diz tudo e não pede nada. Quem começou a usar a palavra gratidão provavelmente foram meninas que usam coroas de flor, ou os rapazes do conjuntinho cachecol + barba + violão. Depois a palavra se espalhou em incontáveis páginas, assuntos, baners, hashtags, legendas de fotos, agradecimentos profissionais entre outros. A palavra é boa, ok. Bem sonora também. Mas a sua utilização ficou batida e irritante. Uma breve olhada no dicionário, e verá que há uma porção de vocábulos para substituí-la, como reconhecimento, retribuição. Que tal tentar?

• Hoje é o dia dela/dele: Gente, vamos lá. Só porque seu amigo do FB faz aniversário o dia tem que ser todo dele? Imagine quantas pessoas fazem aniversário no mesmo dia do seu amigx e, ainda assim, você reserva o dia só pra ele? Que tal começar a frase de parabenização de forma diferente de todos os outros 1,94 bi de usuários do Facebook? Algo como: Hoje é seu aniversário! Que dia especial, é o seu aniversário! Parabéns pelo seu aniversário! Etc, etc, etc.

• O maior amor do mundo: Essa frase é utilizada, quase que via de regra, em legendas de fotos de filhos ou ainda naquelas que narram as imagens de filhos + cônjuges + mães e/ou pais. Ouuquei. Novamente. Superlativos são ferramentas importantes para adensar qualquer feeling. Mãããs, uma vez mais, que tal trocar por outros vocábulos ou sentenças que exprimam esse sentimento tão nobre e grande a ponto de se comparar com o tamanho do mundo? Tente Amor inesgotável, amor (somente), um amor sem limites. Sei lá. Dá uma pensada, entende?

• É o que temos para hoje: Essa frase é utilizada quando se quer mostrar na timeline qual a boa do dia/noite/madruga, mas sem perder a humildade. Assim ó. O coleguito coloca uma selfie, em Jericoacoara, com um copo de caipirinha de seriguela na mão e, na legenda, “É o que temos pra hoje”. Na verdade, o que o bophe queria relatar é que ele está bem de boas no Ceará enquanto você está trabalhando e pingando de calor porque o ar condicionado da firma quebrou. Com ou sem chinelas da humildade, troquem por outra legenda, minha gente.

• Lindo (a) como coment em qualqueeeeeer foto: Se houver um estudo apontando qual a palavra mais escrita em comentários de fotos do FB, sem dúvidas será Linda (o). Impressionante, gente. É igual atendente em loja de roupa. Você sai do trocador com a roupa e mesmo que esteja indecente dentro da fardagem, a vendedora diz que você tá um luxo, esplendorosa, maravilhosa, a dona da night. O fato é que não precisa dizer que a pessoa está linda na foto se não estiver, entende? Só curte que é suficiente. Ou, então, tente algo como belo, vistoso, maravilhoso. Sei lá.

• Muito amor envolvido: Essa é a frase preferida dos casais in love, dos grupos de amigos de infância reunidos na praia no feriado prolongado, dos tios (as) com seus arsenais de sobrinhos de idades variadas. É tanto amor envolvido no FB que os infelizes já estão asfixiados, embargados, submersos, oprimidos. Substitua por sentenças como ‘cercado de amor’, amor pra todos os lados etc, etc, etc.

• Empoderamento: Essa é uma palavra bem boa, na real. Tem presença, ânima, conteúdo. Trata-se de um neologismo do educador Paulo Freire e define um conceito fundamental para entender as aspirações dos movimentos sociais. “Empowerment”. Forte né? Eu acho. Mas daí, people, a palavra entrou na moda online e passou a ser repetidamente-repetida em incomensuráveis postagens de grupos discriminados. Cotada da palavra. Virou um clichê constrangedor. Repito, mia-gente. É uma palavra bem boa, mas a repetição modística fez ela ficar boba, chata, melosa e piegas. Trocar por qual outra? Sei lá. Coloca uma foto do He-Man ou da Shi-ra.

. A melhor parte de mim: gente, filho não é uma peça da gente, tipo um rim ou pulmão. É uma coisa separada.

Migx, têm mais dicas para aumentar um pouquinho a criatividade na sua timeline? Fala cum-eu. Vamos deixar o FB mais inventivo e legal. Titio Zuckerberg agradece.

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A menina e o pum

Mamãe, você solta pum?

Claro, filho. Todo mundo solta pum!

Mas você é menina, mamãe. Menina não solta pum.

 

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